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Meu caro, desde que eu me entendo por gente – não faz tanto tempo assim, reconheço! –, ouço falar em crise no Brasil – em crise econômica!…

Pode ser, no entanto, que, com o advento do chamado “Petrolão”, a crise, a princípio, considerada uma “marolinha” pelos irresponsáveis, tenha virado um “tsunami” – pode ser.

Curioso, porém, que, embora as tantas queixas, principalmente com a taxa de desemprego aumentando no país, com a minha visão de espírito míope eu não tenho conseguido enxergar a crise econômica realmente afetando tanta gente assim – pelo menos, não afetando aqueles que nunca foram afetados por ela!

Os que sempre viajaram, inclusive para o Exterior, continuam viajando; os que sempre tomaram o seu uísque continuam tomando; os que sempre fizeram a sua ceia de Natal, para dentro de mais alguns dias, já estão planejando a próxima…

Ah, e ainda, embora o preço do combustível em alta, nunca se viu tantos carros e motos nas ruas, e, o que é pior, em velocidade louca…

… e tanta gente falando em celular último tipo, que, ao que sei, não barateou reais significativos, que impeçam que os celulares considerados obsoletos sejam trocados pelos mais modernos!…

Sei não, mas, para mim, quem mais uma vez, irá “pagar o pato” será a Caridade!…

Agora, ante as campanhas feitas pela época do Natal, na arrecadação, por exemplo, de cestas básicas para os mais carentes – segundo dados estatísticos, um bilhão de pessoas passam fome no mundo! –, eis que tenho ouvido com os meus ouvidos de tuberculoso no Além:

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– o preço da cesta básico subiu muito e, sendo assim, este ano não vai dar para cooperar;

– gostaria, mas, infelizmente, a situação financeira atual não está permitindo que eu colabore;

– o ano que vem promete ser mais difícil do que este e vou precisar economizar…

A coisa segue mais ou menos assim, e, em essência, quem é pouco ou nada atingido pela crise, acaba por transferi-la a quem sempre viveu na expectativa de um Papai Noel um pouco mais gordo, recebendo, anualmente, mirrada cesta de Natal em forma de doação…

Mirrada sim, porque, a rigor, a cesta de Natal, contendo alguns alimentos, basiquésimos (vocês me desculpem a terminologia não apropriada, talvez, para um morto), para uma família de quatro a cinco pessoas, não dá sequer para quinze dias!

5 quilos de arroz – não precisa ser “agulhinha” –, 2 quilos de feijão (que também está pagando o preço do “Petrolão”), 1 quilinho de açúcar cristal (ah, os canaviais que tomaram conta do Brasil!), 1 pacotinho de macarrão, 1 quilinho de fubá, 1 pacote de sal (Gandhi, na Índia, fez a famosa “marcha do sal”, e levou bordoadas até…), 1 latinha de extrato de tomate (toneladas de tomate são jogadas no lixo), 1 pacotinho de goiabada/doce de leite (ao gosto de quem compra, porque pobre não tem paladar!), 1 pacotinho de chá mate (de café, nem pensar – nem das marcas falsificadas que enchem as prateleiras dos supermercados!), 1 pacotinho de leite em pó, 1 saquinho de farinha de mandioca ou de milho…

Pronto! Eis o que se chama de “cesta básica”, sem o incremento de nenhuma anêmica asinha de frango, ou de retalhos de carne de terceira, que quase nem hiena extremamente faminta consegue mastigar…

Não, não vai dar… É por conta da crise, não é?! E a Caridade, mais uma vez, um anjo a se prostituir pelas ruas das cidades, a bater de porta em porta – vocês me desculpem a expressão, agora de espírito chulo, mas vocês conhecem algum anjo celeste, que, para obter o que pretende em favor dos mais pobres, se prostitui tanto quanto o anjo da Caridade?!…

Segundo Paulo, a Caridade é paciente, é benigna, não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece – tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta…

Pois é! Ao que estou vendo, uma vez mais, quem vai pagar pela crise econômica no Brasil, desencadeada pela sem-vergonhice de tantos políticos corruptos e pela indiferença de tantos, que, para a sua indiferença, nunca tiveram uma tão boa desculpa quanto à da tão propalada crise, será a Caridade – ou, em trocados e miúdos, os considerados “filhos do Calvário”!…

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 21 de novembro de 2016.

Fonte: http://inacioferreira-baccelli.zip.net/arch2016-11-01_2016-11-30.html

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