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Lázaros – Conclusão por Aécio E. César

Lázaros… O que dizer de uma sociedade que ao meu ver, delira em assistir policiais, soldados, cães farejadores, helicópteros a desbravarem matagais como à procura do filão de ouro que os agraciarão como heróis? Merecido tal intento. Mas, onde estaria essa mesma sociedade torcendo para que esses mesmos policiais, soldados, cães farejadores, as Forças Armadas em geral no sentido de exterminar, sim, os Lázaros de colarinho branco que matam indiretamente milhares de criaturas sem questionarem sua própria sanidade?

            Onde poderemos encontrar paz, se aqueles que nos governam sequer vão ao povo sofrido dar-lhe esperanças de futuros mais promissores a não ser em épocas de eleições com suas juras indecorosas? Mas, poderemos, sim, mudar esse quadro, se o quisermos, dar o basta nisso tudo.

Gosto de analisar o dia a dia do ser humano e noto que ele se esquiva da luz da reforma íntima independentemente dessa ou daquela religião, que ao meu ver, se encontra no barco das aflições coletivas, minando a fé de um povo carente de maiores esclarecimentos espirituais.

            É visível a turba de sofredores que mitigam atenção nas sarjetas do mundo. Muitos favelados, quanto algumas famílias moradoras em prédios de alto valor aquisitivo não ficam isentos da consciência aflitiva e culpada que procura, com todos os meios, lícitos ou não, aquiescerem tão somente das suas vontades tresloucadas ao luxo e ao poder. Valerá a pena tal esforço?

            E pergunto novamente Leitor Amigo: Como poderemos acabar de vez com esses Lázaros de colarinho branco que qual enxames de abelhas assassinas vem solapando um povo que até então grita, roga, esperneia e implora: Senhor!… Senhor!…. mas que se encontra de braços cruzados aguardando o maná milagroso que nunca virá. Ainda se encontra, esse povo, hipnotizado pelos prazeres materiais tornando-se quais ventríloquos nas mãos de vendilhões da justiça para suprir as necessidades desses que exclusivamente ditam suas normas em que vale mais o Ter do que o Ser. Na verdade é o silêncio desse povo também corrupto.

            Queria muito ver esse meu glorioso país com toda essa energia que dispendeu à esse serial killer voltar sua atenção para as calamidades sociais, as suas lutas intestinas em que, hoje, se mata, até por um sorriso. Seria tudo isso uma ditadura civil para ver quem mata mais que aquela outra, ditadura militar, onde, dessa vez até militares estão sendo também vítimas? De quem??

Pessoas inocentes estão sendo assassinadas a céu aberto todos os dias e nada se faz para exterminar de vez essa lepra enraizada há anos em nosso país e que está matando mais que esse terrível vírus. O Código Penal está devassado para uma geração que hoje mata um militar como a ganhar um troféu e o militar, por sua vez, não pode sequer mirar em um bandido senão corre risco dele, e não do bandido ir parar atrás das grades. Quem estaria certo nessa história? Os representantes da segurança, os políticos, os bandidos, a sociedade ou nenhum desses?

            A pandemia está aí matando sem dó e sem piedade, pais, mães, irmãos e amigos em que seus assassinos diretos são os próprios familiares. Mas essa palavra “assassino” em nosso país tem outro significado… Realmente o que falta no país é Progresso, Ordem, Disciplina, Espiritualidade e Respeito. Até os mais espertos aproveitam de todas as situações – até aquelas mais calamitosas – para se dar bem em cima de outros que se dizem também espertos. A impunidade é a única lei que se respeita, infelizmente. As autoridades com certeza estão vendo o caos em que o pais se encontra e nada fazem. Apenas lavam as mãos como se o Brasil não tivesse mais solução. E para essas autoridades sanguessugas, assim está ótimo.

            Os governantes desse país – desde o presidente até mesmo aquele pai ou mãe que legislam um lar, no seu brio de fraternidade, estão deixando muito a desejar. Prefeitos e Governadores que deveriam amenizar os erros de alguns, se aconchegam sob as asas dos maus incentivando a violência, morticínios, suicídios; religiosos que por sua vez nada fazem para estabelecer a fé raciocinada aos seus fiéis, digladiam uns com outros para se ter a posse da Verdade que eles mesmo não admitem sua credibilidade. E os lares que se tornaram em oficinas da morte, não tem nenhuma estrutura familiar para a construção de um lar espiritualizado, onde se baseiam, inconsequentes, em conceitos falhos e distantes da Ciência, da Filosofia e da Religião em todos os seus quadrantes. E mesmo assim julgaram o Lázaro. Incoerência?

            Trocando em miúdos, não sei quem é o pior nessa história…. Se esse criminoso ou essa sociedade que visa tão somente a visão do próprio umbigo. É o lobo em pele de cordeiro ou para ser bem mais claro, são os túmulos caídos por fora, mas podres por dentro. É o sujo falando do mal lavado.

De um ponto de vista mais real, o Lázaro pelo menos deu as caras. Foi um assassino, decerto. Teve a morte merecida. Mas, e essa sociedade corrupta até quando ficará escondida sob as máscaras da impunidade? A vida agora voltará ao “normal”. Ops… Morticínios em grande escala e sem reservas. The Wall, o filme? E lanço a pergunta a Jesus: Senhor, Senhor, qual seria o Lázaro Redivivo nessa história?

07/07/2021

Aécio Emmanuel César
Médium de psicografia desde 1990, tarefeiro espírita na cidade de Sete Lagoas/MG.

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