Você alguma vez já parou para pensar que na maioria das vezes em um aborto delituoso o futuro filho que deixou de vir, tornar-se-á para a mulher que o abortou em inimigo feroz, verdugo insaciável por vingança no mundo dos homens, como na pátria espiritual?

            Em um mundo de provas e expiações difícil encontrar espíritos com senso de superioridade que mesmo sendo abortado numa nova existência, vem a auxiliar a mulher que lhe seria mãe. Em grande profusão esses espíritos tornam-lhes perseguidores cruéis a ponto de tudo fazer para desequilibrar as noções de maternidade que ela não alcançou, tornando-se assim em feras de difícil conceituação.

            É o que veremos nessa semana com os meus humildes comentários acerca do livro “No Mundo Maior” no seu capítulo 10 “Dolorosa Perda”, pela mediunidade de Chico Xavier, através dos apontamentos de André Luiz que observa o temperamento do espírito quando lhe é praticamente assassinado: “O filhinho que não chegara a nascer transformara-se em perigoso verdugo do psiquismo materno”. Muitos aqui estão se perguntando: Como pode um espírito prestes a reencarnar se ache com a consciência tão precisa ao ato cruel daquela mulher? Como pode odiar tanto esse espírito mesmo em estado de miniaturização do perispírito? Creio que o choque anímico é bastante forte quando vem a anular uma vida de maneira tão bestial. Não precisaria ele de voltar à forma adulta para odiá-la tanto assim, pois mesmo separado, vibrações de ódio de ambas as partes faziam com que o mal permanecesse ligado entre ambos.

            Como podemos observar aqui esse espírito não tinha nada de superioridade; ao contrário, quis ele redimir, de certa forma das suas dívidas do passado para com ela mesmo em situações que a colocassem em escândalo para a sociedade da sua época. Em todas as ocasiões na vida da gente temos que observar bem os dois lados da moeda. Estudar as consequências, as razões pelas quais certos acontecimentos nos encurralam a situações embaraçosas para que não venhamos a criar uma onda de antipatia e de ódio a quem, na verdade, mereceria, de nós, compreensão e auxílio.

            Vamos dar mais veracidade a esse meu pensamento, quando André Luiz registra o seguinte: “Trouxeste à tona de minha razão o lodo da perversidade que dormia dentro de mim”. Como podemos analisar aqui, se houvesse a reencarnação desse espírito, haveria entre filho e mãe certa contingência de repulsas e aversões, mas vivendo e convivendo em um mesmo teto, essa animosidade, com o tempo, arrefeceria as diferenças familiares. O mal, sim, reside em nós. Às vezes dorme aguardando ser despertado por ações, nossas, invigilantes, que na maioria das vezes nos aprisiona ainda mais com os nossos verdugos do presente e vítimas, por nós do passado. Deus escreve certo por linhas retas. Nós é que as entortamos ao nosso bel e criminoso prazer. E pagaremos, certamente, por todos os erros cometidos. Comigo, Leitor Amigo?

Ari Rangel Aécio Emmanuel César
Médium de psicografia desde 1990, tarefeiro espírita na cidade de Sete Lagoas/MG.

1 Comentário

  • Busquemos o entendimento desta passagem de que , todos nós infligimos dores imensuráveis aos outros. O ressarcimento na maternidade implica mãe e filho(a) a ter os acertos ja planejados na esfera maior. Encontraremos no nosso meio os seres que prejudicamos em tempos remoto. Busquemos os recursos evangelicos espirituais para auxiliar a todos, e vigiemos nossa conduta oa encontrarmos os desafetos ao nosso convivio..

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Share via
Send this to a friend