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Tempo…  Quem é você soberano tempo, que descerra as cortinas das horas consideravelmente na Criação Divina? Por que faz com que a beleza dos corpos se eclipsie nas dobras dos dias, apagando lentamente a alegria das almas? Que poder é esse que nada lhe passe despercebido? Nascer, crescer, envelhecer, reproduzir, morrer e renascer novamente. Qual o motivo desse círculo vicioso que permeia populações em massa? Quem seria você?

            Que nascimento é esse, em que em seu berçário cósmico, pulsa a Vida do Criador como sendo centelhas de luz agindo na cadência da própria elevação? Por que na simplicidade e ignorância fomos criados no sentido de crescer sempre edificando na pureza de crianças espirituais? Que domínio é esse em que aflora nos planos mais etéreos, a presença de seres necessitados da matéria para evoluir? Castigo ou prêmio? Herança amaldiçoada ou bendita, na bendita cadência da perfeição?

            Sabemos que em cada crescimento das almas, sabedoria e sentimento se mesclam, ativos, circunscritos em um universo do limitado ao infinito. Por que então esse silêncio a envolver-nos oculto em cada respirar? Um coração apenas bate, ritmado com o destino já traçado? Onde, pois, nosso livre-arbítrio reconhecendo que as Leis Divinas já nos comandam os passos? O sofrimento seria os efeitos das nossas escolhas malfadadas em contextos de espiritualidade ou de religiosidade?

            Por que de certo modo alimenta as células do nosso corpo limitando-as a produzir novas vidas e assim, purificar aquelas outras já cansadas e sem vida? Por que não o sopro da vida, satisfazendo-se em apenas vê-las morrer inconteste? Diz-se que a alma é bela e o corpo físico impulsiona o sistema criado da matéria em seus inúmeros estágios de santificação. Por que não nos esclarece que o nosso nascer nas instâncias espirituais se faz como engrenagem divina e depois  nas alcovas de corpos sofríveis e enfermiços? Sabedoria se ganha devassando o invisível da nossa ignorância?

            Do átomo aos conglomerados galácticos, a vida se multiplica. Cada célula respira sombra e luz ao comando do seu tutor que a guia indiferente estando ou não em sintonia com o Seu Criador. Se os mundos espirituais que nos cercam não deixam de ser a matriz da nossa essência divina, por qual motivo nos faz esquecer além do mal que praticamos, o bem, que com certeza, habita em todos nós? Um e outro não fará sentido se descobertos?

            Muitas perguntas para poucas respostas, não é mesmo Leitor que me segue até então meu raciocínio? Haverá controvérsias, mas antes que me joguem pedras, vamos refletir em um pensamento do Espírito Crisóstomo que diz: “Nem tudo que brilha é ouro; nem tudo que se vê é”. Sabe-se que errar é humano quando não se sabe a sua causa. Mas, por que hoje se deixa errar sem limitar-se na sua corrigenda, tendo consciência das suas consequências? Soberano tempo, por que sua presença não deixa de ser marca registrada da presença de Deus em nós?

            Diante dessa minha explanação, vejamos o que a mãezinha diz às suas filhas que procuram resgatar o pai e esposo dos braços das sombras, voltando, ela, à materialidade como forma de vingar a si própria no relato do espírito André Luz em seu livro “Libertação”, no seu capítulo III, pela mediunidade abençoada de Chico Xavier: “O tempo é das mais preciosas dádivas do Senhor…”.

            Você, tempo, deixa-nos cair nas têmporas das vicissitudes, para que, mais além, nos convoque a sentarmos com os nossos antigos inimigos nos festins do Senhor, em vestes translúcidas para as bodas do renascimento espiritual. Nascemos e morremos nos planos etéreos; renascemos e nos purificamos nos planos diversos da matéria mais densa. Aqui quanto lá a essência do Pai nos anima. E você, ó tempo, nos cativa em seus braços no silêncio soberano e augusto. Salve! Salve! com a sua comitiva de horas, ontem, hoje e pela eternidade afora. Comigo, Leitor Amigo?

25/11/2021 – Até a próxima quinta-feira.

Aécio César Aécio Emmanuel César
Médium de psicografia desde 1990, tarefeiro espírita na cidade de Sete Lagoas/MG.
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