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II Encontro Mundial dos Amigos de Jesus com Chico Xavier e sua obra

Senhoras e Senhores,

                Obsessão… Sabe o que seria? Já teve essa experiência, está tendo ou nunca teve? Digo está tendo, porque nem sempre obsessão é parecida com aquele filme “O Exorcista”. Poderemos estar obsediado ou obsedando nesse momento, sem que saibamos. Obsessão pela pessoa amada… Obsessão por bens materiais… Obsessão por esse ou aquele vício incontrolável… Tudo isso é obsessão que poderá ser agravada para possessão se não observarmos como anda lá… nossa fé. Procure, pois, observar no seu dia a dia se o amor que destila em excesso ou transformado em paixão, ultrapassou as raias da loucura e saberá estar ou não obsediado.

                Certa vez uma mocinha com seus dezoito, dezenove anos levava sua vida rotineira mesmo sendo surda-muda. Mesmo com essas dificuldades ela se dava bem com todos através do alfabeto de sinais. Ela tinha, vez outra, seus momentos de solidão. Procurava ler livros porque não conseguia fazer outra coisa.

                Certa noite, apareceu um ser iluminado dizendo ser uma servidora de Maria. Ela fora escolhida para levar a paz e conquistar muitas almas para o seu rebanho de amor e caridade. Ela, a princípio, rejeitou. Mas com insistência desse ser, passou a conversar com ela através do pensamento e, em dado momento dessa conversa, aquele ser lhe disse que faria ela voltar a falar e a ouvir. A mocinha ficou em êxtase. Mas tinha que dar algo em troca. Levar a mensagem de Maria a todos os lugares. E assim a mocinha aceitou de pronto.

                E como um milagre, a menina começou a ouvir e falar. Em grande satisfação chorou de emoção ao ouvir aquela voz mansa abençoar-lhe pelo milagre ali feito. E fortaleceu seu pedido de que ela deveria reunir grandes multidões a dar-lhe suas almas ao amor supremo de Maria. Ela ainda em felicidade, disse que faria de tudo para concretizar o desejo da Santa Mãe de Jesus.

                Um padre de uma capela que a criara ficou maravilhado com o acontecido e a notícia correu ligeira na cidade onde morava, depois nas cidades vizinhas, em outros estados e países. Sua vida modificara da água para o vinho. Sempre se encontrava rezando para esse ser que aparecia sempre para ela a lhe dar orientações do que deveria fazer até então. Numa pequena igreja da cidade ela começou a falar do seu testemunho. De ter conhecido essa serva de Maria, de tê-la curada das suas limitações. E agora tinha como compromisso levar a palavra de Maria a todas as almas que se afeiçoassem a ela.

                O tempo passava para essa mocinha e ela começou a curar pessoas. Umas voltavam a andar, a falar, a enxergar. Era um misto de fé e de esperança. E com isso vários outros doentes eram levados à sua presença para serem curados. E a quantidade de fieis aumentava rapidamente. As esperanças antes perdidas por muitos moradores eram concretizadas. A Fé voltou a reinar naqueles corações. Milhares de pessoas voltavam à vida normal, antes paralisados por essa ou aquela enfermidade.

                Um pesquisador que achou aquilo fantástico foi ver mais de perto aqueles “milagres” acontecendo. Conversou com essa mocinha longas horas e procurou também os registros daquela cidadezinha centenária se haveria acontecimentos como aquele em tempos idos. E pesquisando aqui e ali veio a saber que no século passado outra menina também apareceu com os mesmos feitos da mocinha que a entrevistara. Mas descobriu algo sinistro e aterrador…

                Ele, veio a saber que em um dia especial devotado à Maria todos aqueles seguidores daquela mocinha, deveriam entregar suas almas a ela repetindo refrãos enigmáticos. E esse dia ficou na história. E esse feito hoje iria viralizar nas redes sociais. Iria ganhar fama, poder, dinheiro, glória. A mocinha sempre em êxtase obedecia à risca o que aquele ser lhe dizia. E o dia então chegou. A capela estava lotada dentro e fora dela. A menina em um púlpito começou a rezar juntamente com seus fiéis e em dado momento ela falou a todos que Maria estava ali pessoalmente e iria fazer grandes milagres. O pessoal simplesmente deveria dar suas almas a ela para que outros acontecimentos maravilhosos viessem a acontecer. 

                E para que ficasse marcado na história aquele momento deveriam todos dizer: Entrego minha alma a Santa Maria por três vezes. E no júbilo ali e em grande regozijo de todos quando faltava a terceira vez para completar aquele ritual, o pesquisador aparece no meio da multidão interrompendo-o drasticamente. Disse àquela mocinha que aquele ser iluminado não era um anjo e sim um demônio metamorfoseado. A mocinha de pronto não acreditou. E ele contou a todos ali o que tinha descoberto.

                Foi um alvoroço total. Até queriam espancar o pobre coitado do pesquisador, quando algo fez com que a mocinha acreditasse naquelas palavras. E nesse momento as velas que estavam acesas à Maria se apagaram; o crucifixo enorme que estava no altar partiu em vários pedaços. E um ser envolto em chamas lhe apareceu dizendo se não conseguisse arrebanhar aquelas almas ela voltaria a ficar surda-muda e todos aqueles que ela tinha curado também voltariam a ser deficientes como eram. A mocinha, com isso, acreditou ainda mais naquele pesquisador e de chofre disse àquela multidão que tudo aquilo era invenção do demônio. Que eram para todos ali rezarem com fervor a Deus simplesmente.

                E como num passe de mágica aquele ser mostrou sua face monstruosa envolvendo-os num manto escuro que fez com que aqueles que foram curados voltassem com as suas enfermidades. Até mesmo aquela mocinha. Moral da história. O demônio tem várias faces e pode até passar por um ser iluminado para ludibriar muitos que estão aí vivendo por viver. Aconteceu um caso assim numa Casa Espírita aqui da minha cidade.

Essa história foi contada num filme chamado “Rogai Por Nós”. Fantástico. É um tipo de obsessão clássica em que a Fé verdadeira passa despercebida de muita gente. Não adianta ter simplesmente fé. É indispensável observar se ela está sendo direcionada a Deus. É estarmos vigilantes indiferente de qualquer crença. Daí encontrarmos confrades e confreiras desvirtuando o Evangelho em nome dEle, colocando rituais e seitas numa Doutrina que é só Amor e Caridade.

A partir desse relato, será que a sua fé, Leitor Amigo, é aquela cega, desprovida de luz interior, patenteada, sim, nas sombras, ou aquela outra, alicerçada na fé simples, porém, raciocinada?

19/05/2022 – Uma ótima leitura. Até a próxima quinta-feira pessoal.

Aécio César Aécio Emmanuel César
Médium de psicografia desde 1990, tarefeiro espírita na cidade de Sete Lagoas/MG.

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