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Mais que Deus… Você não leu errado. Em determinadas circunstâncias da vida, poderemos ser maiores que Deus em bondade, caridade e fraternidade, acima de qualquer religião? De certa forma, sim.

            Esse meu raciocínio será diretamente ligado a certas igrejas em que só há duas saídas para o espírito depois que deixa o corpo físico: o céu paradisíaco ou inferno escaldante e eterno. Mas como seria feito essa separação, sabendo que tanto o mal quanto o bem tem diversos degraus de diferenças?

            Segundo essas agremiações religiosas, aqueles favoritos por Deus ficarão debaixo de árvores frondosas e frutíferas curtindo sons magistrais de querubins com suas harpas angélicas entoando, eles, e não os privilegiados do Senhor, hinos a Deus como agradecimento pela acolhida no Paraíso Divino.

            Do outro lado desta mesma moeda, encontrarão no inferno escaldante, aqueles que não souberam absorver em suas vidas, o Hausto Divino do Criador no sentido de aliviar o fardo de incontinências religiosas que creio, não satisfaz mais a ânsia de conhecimentos de muitos fiéis da atualidade.

            E a Vida Eterna se constituirá tão somente de felizes e sofredores. Os primeiros gozarão eternamente das delícias de um paraíso sem trabalho, sem preocupação com os que amaram deixados na retaguarda, enquanto que os segundos terão suas vidas lavradas a ferro e fogo, ao pranto e ao ranger de dentes diante das atrocidades inimagináveis de demônios criados “à parte” da Criação para atazanar ainda mais os espíritos encarnados e desencarnados na sua senda de elevação. Absurdo, não é mesmo?

            Agora, caindo na real, vamos ver, através dessa citação do livro “Libertação”, no seu capítulo III do espírito de André Luiz, ditado para o médium Chico Xavier algo relacionado com esse meu raciocínio. Vejamos: “Poderíamos gozar, porventura, o espetáculo augusto das esferas resplandescentes, ouvindo-lhes a harmonia indefinível, numa situação de destaque adquirida à custa daqueles que gemem e desfalecem nas trevas?”.

            Existe uma história de uma mãe que foi prestigiada a ir para o céu. Tudo lhe fora dado de prazeres e alegrias celestiais. Mas no fundo dos sentimentos daquela mãe algo lhe deixava inquieta quando sentiu falta do filho querido que a antecedera na morte física. Procurando saber, através dos arcanjos que por esse paraíso também se encontravam e tendo uma sabedoria augusta, essa mãe perguntou-lhes notícias do seu filho. Olhando os arquivos celestiais dos filhos do Criador lhe informou que o seu filho estava no inferno. Não fora eleito por Deus para viver nesse paraíso. A mãe, angustiada, sentiu no peito a dor da separação sem que não pudesse fazer nada pra retirar o filho daquele abismo de dor.

            Dias se passaram e essa mãe procurou novamente o arcanjo que lhe dera informações do seu filho, pedindo-lhe que a deixasse visitar por alguns minutos o filho em desolação. O arcanjo, sincero e convicto em suas palavras lhe informa que ninguém poderia sair do paraíso deixando esses que se encontravam nas trevas à própria sorte.

            A mãe cada vez mais desolada, teve em seus sentimentos de mãe a coragem de pedir ao Arcanjo a possibilidade de ver mesmo assim seu filho. Ele, por sua vez, mais firme nas palavras lhe disse que, se saísse dos portais do paraíso, não poderia regressar novamente. Ela, resoluta então pediu que lhe abrissem os portões porque não ficaria em paz com sua consciência sabendo que seu filho sofria tormentos no inferno. O arcanjo indiferente àquela escolha, obedecendo a sua decisão abriu-lhe os portais. E ela foi ao encontro do filho encorajando-o, pouco a pouco, a despertar para as realidades da vida eterna. O amor genuíno tem dessas coisas, não é mesmo? E aqui não seria mais que o amor de Deus?

            Para fechar com chave de ouro esse meu comentário, deixo os dizeres de outra mãe que residia em esferas superiores, materializou ante as suas filhas dispostas a socorrer o marido e pai que estava nas zonas umbralinas também do livro acima citado: “… há mais grandeza no anjo que desce ao inferno para salvar os filhos de Deus, transviados e sofredores, do que no mensageiro espiritual que se dá pressa em comparecer ante o Trono do Eterno para louvá-Lo, com esquecimento dos próprios benfeitores…”. Alguma dúvida, Leitor Amigo?

11/11/2021 – Até próxima quinta-feira.

Aécio César Aécio Emmanuel César
Médium de psicografia desde 1990, tarefeiro espírita na cidade de Sete Lagoas/MG.
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