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Explicação: a maioria de nossos gramáticos e lexicógrafos: Aurélio Buarque de Olanda Ferreira, Napoleão Mendes de Almeida, Domingos Paschoal Cegalla, Pasquale Cipro Neto, Antonio Houaiss, Caldas Aulete e outros registram corretas ambas as construções: em mão e em mãos, cuja abreviatura é “E. M.”.

Estas expressões, que aparecem nos sobrescritos de cartas, indicam que o documento remetido a alguém deve ser entregue por uma pessoa, e não por intermédio do correio.

Os autores que opinam seja somente “em mão” – no singular -, a forma correta, não deixam de ser respaldados pela lógica e coerência, pois correlacionam esta expressão a outras semelhantes e que não fazem sentido pluralizá-las, tais como: coloco-me em pé (e não “em pés”), anda a pé (e não “a pés”), toca de ouvido (e não “de ouvidos” – ainda que tenha os dois), faz um trabalho à mão (e não “a mãos”) etc.

Enfim, respeitando-se essas inevitáveis oposições que alegam ser o uso correto desta expressão somente no singular, adequamo-la, como em outros casos questionados na Língua, à forma concludente da A. B. L. (Academia Brasileira de Letras) que opta serem corretas ambas as formas: em mão ou em mãos.

Diante disso, conscientizemo-nos de que a Língua não deixa de ser um produto social e que o nosso idioma, em particular, está, ainda, estruturando-se de forma dinâmica. Convenhamos, também, ressaltar que nossos lexicógrafos estão  constantemente atualizando-se, e todos nós falantes devemos fazer o mesmo.

Vejamos, por exemplo, que o Aurélio, em 2004, registrou, em seu dicionário, a forma única “em mão”, no singular, como correta e aceitável; entretanto, em 2010, o mesmo autor optou pelas duas formas: “em mão” e “em mãos”.

Não podemos, então, martirizar-nos com as mudanças inevitáveis. “Tudo se move” / “tudo escorre” (Panta Rhei) – dizia-nos Heráclito, e estava correto.

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